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A única criatura do Talasnal que vi e com quem meti conversa

Foto de GuidinhaPinto: Gatinha moradora no Talasnal

Faltava esta para concluir a estória do passeio ao Talasnal.

De repente, num cruzamento. Cortei à direita. Ao longe, só paisagem. No chão, sobre uma laje, uma criatura. Parei. Olá bichana! . . . bchbchbch ... nada. Nem me olhou. Insisti. Nada. Deixei de bichanar. Agachei-me e retratei-a. Estava na limpeza do pêlo. Claro, gata que se preze, cuida-se. E como dali não vinha diálogo, desisti. Quando virei costas e segui pelo caminho que me trouxe até ela, levantou-se e seguiu-me. Olhava-me. Se eu parava ela parava. Durante uns minutos, sem eu saber, segui na direcção da casa dela. Desapareceu entrando numa loja ainda em construção. Ainda espreitei, mas nada consegui ver.

Ficas aqui porque foste discreta e nada pediste. Nem uma festa. Ainda faltam muitas gerações para que a tua raça se torne obediente como a dos cães. Por enquanto, Viva a Independência! Não é?

Talasnal - estória de um passeio

Foto de GuidinahPinto: Chegada ao Talasnal - grupo dos 5 (4+fotógrafa)

Depois de almoço, arrumados os pratos, ouvimos: - "Vamos ao Talasnal. Querem vir? Vocês não conhecem, aproveitem enquanto há jipe."
Era Irmão. Ai ai que ele está com pressa... Vamos Marido? Não conhecemos ... vamos ... vamos ... A Bi ficou em casa, com um biscoito na boca e promessa “os donos já vêem".
Partimos de Cerdeira de Góis na tarde de 6 de Outubro. Um belo grupo de 5 pessoas amigas. Metemo-nos no jipe: Mário (70 anos) ao lado do motorista (45 anos). Eu, Marido (56 anos) e Lili a Cunhada, atrás. (Das senhoras não digo as idades). Uau! Vamos lá para a aventura. E com Irmão a guiar, vão haver muitos ais, uis, uaus, he!pás! da minha parte. Mesmo assim, tenho de aproveitar, que andar por caminhos da Serra não é coisa para Marido se aventurar. Para além disso, não temos jipe, viatura indispensável para trepar e descer aquelas "estradas".
Descemos à Ribeira, subimos à Pena, continuamos a subir à Aigra Velha, e a subir até ao Trevim (1210m de altitude). Já lá em cima, as beiras das estradas da Serra adensam-se de árvores, salpicada ali e acolá por pequenos povoados. O olhar vai tão longe. O espaço é tão aberto que parece que estou a planar. De repente, do nosso lado esquerdo, um monte de casinhas, parecido a um presépio de postal. É ali o Talasnal (500m de altitude). "Pára um bocadinho, deixa-me tirar o retrato", digo eu a Irmão, o incitador desta viagem de muitos quilómetros, serra acima, serra abaixo, "por montes e vales, como é bom cantar, cantar" ...
Chegámos. Saímos da viatura. Eles 4 seguiram, para a visitar a pé claro, a subir e a descer. Eu fiquei … para conhecer mais ... na horizontal. Estava feita numa passa e ainda faltava o regresso. Tinha de me poupar :-))
O ar que ali se respirava era limpo. Pareceu-me cheirar a forno de lenha, numa das ruelas ...
As casinhas formavam uma linha ondulante, tendo como ponto central o largo da fonte, reconstruída em 1999, conforme informava a placa, por onde todos os visitantes entravam deixando os meios de transporte para trás. As casas de xisto, erguiam-se umas a seguir às outras, formando estreitas ruelas, ou então pela encosta acima, rodeadas de verdura. Eu fiquei pelas ruelas ...
“As paredes das casinhas, construídas ao longo de anos por pedreiros locais, são bem travadas por duras e naturalmente facetadas pedras de xisto, de um colorido que dispensa a cal", como já li algures. E cliquei muito. Estão mais abaixo postadas, todas as fotos que consegui tirar.
A serra, essa é irregular, mas os socalcos são aproveitados para cultivo. Os vales continuam lá bem ao fundo. Ao longe, muito ao longe, vêem-se as serras do Buçaco e do Caramulo, mais protegidas do que a Lousã, sendo que esta última é o primeiro obstáculo à humidade que provém do Atlântico, informei-me.
Vê-se tudo isto do Talasnal.
Não vi gente que lá morasse. Não fui ao "Ti Lena". Apenas ouvi as vozes do que me pareceu ser uma taberninha - "O curral". Esteve nas minhas espreitadelas. Não entrei, porque talvez já não conseguisse saír sem ser de gatas.
Ah!, as fotos mostram: Vi uma criatura - um gatinho castanho - com o qual tentei manter dois dedos de conversa. É a minha sina. Pareço o Dr. Doolittle.
Haviam muitos turistas, isso sim.
Para terminar - como qualquer uma das crianças que por lá andava em visita e que decerto irá escrever na redacção pedida pela professora sobre como passou o fim de semana - digo: gostei muito de visitar o Talasnal.

Do Talasnal à Cerdeira de Góis - de volta a casa

Foto de GuidinhaPinto: Outras Serras
Foto de GuidinhaPinto: Ainda nas núvens
Foto de GuidinhaPinto: Ao fundo, o Mar ???
Foto de GuidinhaPinto: Quase no Trevim

Saímos do Talasnal, já o Sol estava a baixar. Corria uma aragem. Um belo passeio num belo fim de tarde.

Santo António da Neve e Trevim

Foto de GuidinhaPinto: Trevim e aeromodelismo
Foto de GuidinhaPinto: Parque eólico
Foto de GuidinhaPinto: O "meu" Penedo em fundo, olhado por detrás

Seguiu-se o Santo António da Neve. Não parámos e prometo que postarei fotos que tenho num álbum - à antiga. Irei buscá-las, "scaná-las" e "postá-las" numa outra ocasião. Ilustra-las-ei com a história do local.

Quando passavamos no Trevim, alguns carolas estavam a praticar aeromodelismo. Sobre este marco geodésico (Trevim), procurei e em http://us.geocities.com/altardotrevim/abertura.htm copiei:
- A cerca de 20 quilómetros da Lousã, quando a estrada que galga a Serra atinge a altitude de 1.000 metros, ramifica-se para a esquerda uma estrada de turismo, em bom estado de conservação, que conduz ao Trevim e ao Santo António da Neve, os dois picos culminantes da Serra da Lousã, com 1.200 e 1.180 metros de altitude, respectivamente, que se podem visitar de automóvel ou camioneta. Do Pico do Trevim abrange-se um dos mais vastos, senão o mais vasto panorama que das serras de Portugal se pode abranger.
Para quem está voltado para o Sul é esse panorama limitado pela Serra do Muradal, Serras de Vila Velha de Rodão e Mação, Alto Alentejo, Serra de Aire, Serra dos Candeeiros, o Mar e a Serra da Boa Viagem (Figueira da Foz); e para quem se volta para o Norte os limites são o Mar. o Buçaco, o Caramulo, o Montemuro, a Estrela, a Gardunha, até se encontrar de novo a Serra do Murada, que limita pelo noroeste a região de Castelo Branco.
Dentro desta extensa região, que deve ser sensivelmente um terço de Portugal continental, vêem-se Coimbra, Montemór, Figueira, Miranda, Anadia, Cantanhede, Penacova, Poiares, S.tª Comba Dão, Tondela, Oliveira do Hospital, Nelas, Mangualde, Fornos, Gouveia, Cernache do Bonjardim, etc., e centenares de outras mais pequenas povoações.
Junto à Serra, mil e tal metros mais abaixo, as veigas da Lousã, Miranda e Góis, e para sul o vale da Ribeira de Pêra, onde as povoações se encostam umas às outras: Castanheira, Coentrais, Sernadas, Sapateira, Bôlo, Vilar, Troviscal, etc."

É a olhar as fotos e a sonhar visitar um destes dias, as terras aqui descritas por outros mais antigos, mas por estradas alcatroadas. Ai! Ui!