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Sem palavras. No Público.pt


02-05-2007 - 09:59
Somra Kharia, de 45 anos, antiga trabalhadora das plantações de chá de Beech, perto de Siliguri, na Índia, cuida do seu marido, Shalo, que sofre de malnutrição. Mais de 150 pessoas morreram de malnutrição no ano passado na zona Oeste de Bengal depois de várias plantações de chá terem encerrado. Os investigadores afirmam que a região, onde os trabalhadores eram muito unidos, está a passar por um fase de ruptura social. Foto: Rupak De Chowdhuri/Reuters

Inch allah 4 (Foto da nossa autoria)















Plataforma onde fiquei, com Bi ao colo, que estava assustada com tantos degraus, barulhos e cheiros diferentes. Foi Marido quem clicou, de junto à água.
Oxalá: Que para o ano eu consiga descer até aqui. É sinal que penso ter hipóteses de fazer o caminho de retorno.

Inch allah 3 (foto da nossa autoria)













E aí está ele, o Pego do Inferno. Sem barulhos de gritos e sem mergulhos, pessoas a fazerem lanchinhos... para além dos barulhos das águas que deviam tombar em qualquer sítio, que não via. Não desci mais. Fiquei aqui, nesta plataforma. Com Sogrinha. Com Bi ao colo. Já tínhamos muitos degraus para subir ;) Marido e Pitu, continuaram até lá abaixo. Quiseram e puderam. Oxalá: Que até aqui eu consiga descer, para o ver, para o ano.

Inch allah 2 (Foto da nossa autoria)















A ponte sobre a Ribeira da Asseca ... não é bonita?
Da esquerda para a direita: Sogrinha, Marido com Bi ao colo e Pitu.
Oxalá: Que no ano que vem possamos, os mesmos, voltar.

Inch allah 1 (Foto da nossa autoria)















Ribeira da Asseca, em Junho de 2006. A mansinha, corre devagarinho e ronrona.
Nos Invernos chuvosos, torna-se a responsável pelas cheias em Tavira.
Oxalá: Que não se repita este ano as cheias dos anos anteriores.

Inch allah (Foto da nossa autoria)











Oxalá: Que para o ano, eu possa repetir a visita.

Em Junho, rumei ao Sul. Sotavento. Fiz a 1ª visita ao Pego do Inferno. Antes com acesso natural, mais difícil para mim. Hoje, acesso melhorado pela obra feita pelo homem (e dinheiro dos nossos impostos), passamos uma ponte, descemos uma centena de degraus de escadas, tudo em madeira muito bem integrados no espaço. Ah! Mas era imprescindível a existência de garrafas de plástico, paus de gelados, pacotes de sumos, atirados sem pudor por mãos humanas para as margens destes caminhos. No entanto estavam por lá salpicados pequenos caixotes para o lixo. Aluns têm forçosamente de nos impôr a sua assinatura por onde passam, por onde passamos todos. Com grafitis asneirentos, ou com lixo e desrespeito pela natureza, eles desconsolam os meus olhos. Falo por todos nós, os que neste País pobre e consumista, tentamos viver e passar incólumes.

Oxalá este sítio brando, uma pintura de sonho, não seja tratado como um produto de consumo, tipo pastilha elástica, que se masca e deita fora.
Será que nós merecemos o que a natureza nos oferece? Fica a pergunta.

Uma direcção e não soluções

Lembro uma história que ouvi, há tempos, de um homem que deu dinheiro a uma mulher que chorava e dizia que seu filho tinha uma horrível doença terminal. Depois de dar dinheiro à mulher, outras pessoas que assistiram a tudo avisaram o homem que ele tinha sido enganado: -ela conta a mesma história há anos...
O homem, pensativo, perguntou: - então não existe nenhum garoto a morrer? Todos abanaram a cabeça.
Então o homem abriu um sorriso e comemorou: - Essa foi a melhor notícia do dia!
Em situação idêntica, sentir-me-ia embaraçada. E saberia eu justificar o meu embaraço com o mesmo encanto de alma? Não. Um garoto desconhecido, que afinal não estava doente e consequentemente não iria morrer... sinceramente eu não seria capaz do mesmo sentimento, como o do homem da história. Todos os dias me bombardeiam com notícias trágicas, nos noticiários nacionais. A tendência é ser encaminhada, direccionada para o trágico, para a perda do "humano" que existe no indivíduo. Tal como o homem da história, no acto de dar, sou uma mulher com solução imediata para a mão estendida. Independentemente da "esperteza saloia" tão comum entre nós portugueses, se alguém me pede, eu dou-lhe. E ponto final.
Mas quantas "mulher da história" existem, sem direcção? Como escreveu Almada Negreiros - a solução é sempre um remédio passageiro para disfarçar a desgraça. Ao passo que a direcção é a própria dignidade posta nas mãos do desgraçado para que deixe de o ser.
Diz quem observa, que o indivíduo precisa de direcção e não de solução.
Tal como em Goethe, visto por Almada Negreiros - "Haverá alguém que se afaste de quantas realidades irrealizáveis onde costumam habitar instaladas as gentes. E impassível, desde cima, assistir ao desenrolar da tragédia. E ver o mundo inteiro por cima de todas as cabeças, e ver a Europa toda e com cada um dos seus pedaços, e ver cada indivíduo da Humanidade como um pequenino astro tonto, que nem sabe sequer ir na parábola da sua própria trajectória, e ver que de todos os seres deste mundo o único que erra o seu fim é o Homem, o dono da Terra!"
Mas eu sou uma mulher, secretária aposentada que é agora dona-de-casa, não fui escolhida para governar nem direccionar o meu País! Outros se ofereceram para o fazer e foram nomeados. E para fazer o quê? Governar-nos, ora essa. E o Orçamento de Estado? E a Ota! E o TGV! E os chorudos ordenados e pensões de reforma para os indivíduos da política - vulgo funcionários públicos, que crescem com este governo como com qualquer um dos outros como tortulhos, na terra dos meus avós, de preferência onde a terra foi estrumada e há bastantes fungos e bactérias!? E o desemprego? E o Capital a exportar as máquinas que existiam nas fábricas encerradas devido a falências... para outros mercados onde outros indivíduos podem ser sugados da sua dignidade, resultando em mais valias a exploração da miséria humana? E os dois carros que foram icendiados hoje, na Amadora... quem sabe, com o que está a acontecer em Paris...

Qualquer coisa que nos aterrorize, é uma boa notícia.
E aqui andamos, no chão deste Portugal, alienados, sem ter cabeça para pensar em nada e a pensar em tudo, nas telenovelas, nos programas das manhãs de 3 canais, no que dizem as bruxas e os adivinhos e os patos Donalde, e nos jornais que começam todos às 8 da noite, sempre com notícias de abertura anunciadas muito antes em notas de roda-pé - não perca, às 8 - e com muitos medos.
E o medo paralisa, entorpece a mente, é o pior aliado na convivência e na solidariedade entre os indivíduos, no interesse do bem comum.
Fechem para balanço. Nova Direcção, precisa-se.

Clorofluorcarbonetos ou a sobrevivência de um planeta

O Reino Unido teve um primeiro-ministro que se chamava Margaret Thatcher. Os seus estudos em Química, em parte sob a orientação do Prémio Nobel Dorothy Hodgkins, foram a chave de sucesso para que os Clorofluorcarbonetos (CFC's), que destroem a camada de ozono, fossem banidos ao nível mundial.
Por cá, temos de ter, na Direcção da nossa jangada, pessoas que perguntem a pessoas que sabem da coisa científica. Senão, como tomam os portugueses decisões sobre questões ambientais? Como dão intruções aos seus representantes? Quem, na realidade toma decisões e em que base?
Por cá, tudo na mesma. Senão acreditam, visitem:
http://quercus.sensocomum.pt/pages/defaultArticleViewOne.asp?storyID=1333
E já agora, para não esquecer: A preocupação internacional em relação aos buracos na camada de ozono tornou-se tão grande que em 1987 cerca de 40 países assinaram um acordo que ficou conhecido como «Protocolo de Montereal», para reduzir em 50% a utilização de CFC´S.
Porém, alguns países mais pobres, como a Índia e China, contrapuseram que era injusto que países ricos, que tiveram frigoríficos e aerossóis durante anos, limitassem o uso de CFC´s exactamente quando os mais pobres estão a atingir o nível em que podem, finalmente, ter acesso a eles. É uma questão difícil de resolver.
Há mil milhões de pessoas na China e, se todas tivessem um frigorífico com CFC´s, em breve o «Buraco» atingiria proporções alarmantes. Cabe aos países ricos ajudar os mais pobres a usufruírem das alternativas aos CFC´S.