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O despertar e o ocaso de um dia de outono

Dia 2 de Novembro. É a data destes retratos. Recordo que era um Sábado. Acordei ainda lusco-fusco. Vesti o robe, calcei meias de lã e enrolei a cabeça numa mantinha de lã. Queria saber quantos graus estavam lá fora. 2, indicava o termómetro deixado sobre o banco de ferro, no alpendre da casinha. Sem fazer barulho, pantufa ante pantufa, retratei o termómetro. Voltei para dentro de casa. Brrrr. Estava mesmo frio. Mas adivinhava-se a manhã solarenga que nascia. A minha Bi veio atrás de mim e olhava-me, questionando-se que andava eu a fazer ali àquela hora. Ainda com olhinhos perguntadores. Sim, que ela é uma bichinha muito inteligente ;-))) e aquela cabecinha raciocina.Fui buscar uma caneca de café, aqueci-o no micro-ondas (sacrilégio) e fui esperar o nascer do astro-rei às traseiras da casinha. Com a máquina dos retratos no bolso. De novo enrolada e absorvendo pequenos goles de café, esperei. Daí a pouquinho o despertar da aurora, aquele tocar no cimo do Penedo e a descida da luz que o foi percorrendo como uma carícia.
Durante alguns dias, tornei a esperar o nascer do sol. Levantava-me às 6, 6 e picos. Ouvia a passarada - piscos, melras, andorinhas que ficaram, galos das primas, uma azáfama. E via-os atravessarem à minha frente, pois sentada no banco de ferro, no alpendre, quieta, observava-os. Só com os olhinhos de fora. O frio era demais. Para cima e para baixo. Em voos rectos, rasos ao chão. Nem davam pela minha presença. Só os sentia aproximar pelo bater das asinhas - trrrr. Que pena não entender de pássaros, para melhor os identificar. Foram tão revitalizantes estas manhãs. As sensações daquela luz, dos cantares e piares, do acordar daqueles seres tão pequeninos, vivos, felizes, ficarão para sempre gravados no meu "software cerebral". Sempre que sentir falta de frescura, alegria, paz, é só fazer download ;-)))
À noite, ah! à noite. Fogão de lenha aceso desde as 16:00h até às tantas. O termómetro não passou dos 14 graus C. Era a segunda noite e as casas na serra custam a aquecer. Em baixo, a minha despedida ao dia. Agradeci por este que estava a terminar. Adivinhava-se outro dia de sol para Domingo. Parece alguma vez que estamos no Outono? As nabiças, as couves galegas e as tronchas queixam-se tanto, coitadas. Nem uma orvalhada durante a noite para as refrescar.

Momentos

Gostamos mesmo muito de estar na Serra. Tranquilidade, afazeres reinventados, porque assim o desejamos. Pena serem dias contados.
Figos e castanhas assadas descascadas, oferta de Tio Manuel. Apanhou os figos da sua figueira. Trouxe as castanhas do magusto que a Câmara Municipal de Góis ofereceu aos seus visitantes, na tarde do dia 1 de Novembro. Adorámos os miminhos que Tio nos ofertou.Broa de milho, oferta do Mateus. Comprada na Ribeira Cimeira a uma senhora de lá, cujo nome desconheço mas faço questão de conhecer quando voltar à Serra. Sei lá agora quando!?!

Até!

Foto de GuidinhaPinto: Rio Ceira em Novembro de 2006

Confirmaram-me que até cerca das 10:00h da manhã, o dia se mantém frio, muito frio. Mas depois aparece o Sol, levanta a "sapeira" e o calorzinho convida-nos a sair para a rua.
Pelo menos até às 17:00h podemos sair de casa, passear, apanhar castanhas, ir à Vila, conversar, tirar retratos, sentar a ver e a ouvir, enfim, uma panóplia de coisas boas de se fazerem, quando se está em férias, nesta época.

Quando o Sol se esconde atrás do Penedo ... casa. Apressamos o passo. E pelo caminho é verem-se as chaminés a fumar, com cheiros de lenha diversos, convidativos ao recolher. Trás lenha para o fogão, digo eu a Marido.

Estamos a pensar ir amanhã. Pensamos voltar a 11, dia das castanhas, do vinho e de S. Martinho. A festa continua.
Fiquem bem.

Talasnal - estória de um passeio

Foto de GuidinahPinto: Chegada ao Talasnal - grupo dos 5 (4+fotógrafa)

Depois de almoço, arrumados os pratos, ouvimos: - "Vamos ao Talasnal. Querem vir? Vocês não conhecem, aproveitem enquanto há jipe."
Era Irmão. Ai ai que ele está com pressa... Vamos Marido? Não conhecemos ... vamos ... vamos ... A Bi ficou em casa, com um biscoito na boca e promessa “os donos já vêem".
Partimos de Cerdeira de Góis na tarde de 6 de Outubro. Um belo grupo de 5 pessoas amigas. Metemo-nos no jipe: Mário (70 anos) ao lado do motorista (45 anos). Eu, Marido (56 anos) e Lili a Cunhada, atrás. (Das senhoras não digo as idades). Uau! Vamos lá para a aventura. E com Irmão a guiar, vão haver muitos ais, uis, uaus, he!pás! da minha parte. Mesmo assim, tenho de aproveitar, que andar por caminhos da Serra não é coisa para Marido se aventurar. Para além disso, não temos jipe, viatura indispensável para trepar e descer aquelas "estradas".
Descemos à Ribeira, subimos à Pena, continuamos a subir à Aigra Velha, e a subir até ao Trevim (1210m de altitude). Já lá em cima, as beiras das estradas da Serra adensam-se de árvores, salpicada ali e acolá por pequenos povoados. O olhar vai tão longe. O espaço é tão aberto que parece que estou a planar. De repente, do nosso lado esquerdo, um monte de casinhas, parecido a um presépio de postal. É ali o Talasnal (500m de altitude). "Pára um bocadinho, deixa-me tirar o retrato", digo eu a Irmão, o incitador desta viagem de muitos quilómetros, serra acima, serra abaixo, "por montes e vales, como é bom cantar, cantar" ...
Chegámos. Saímos da viatura. Eles 4 seguiram, para a visitar a pé claro, a subir e a descer. Eu fiquei … para conhecer mais ... na horizontal. Estava feita numa passa e ainda faltava o regresso. Tinha de me poupar :-))
O ar que ali se respirava era limpo. Pareceu-me cheirar a forno de lenha, numa das ruelas ...
As casinhas formavam uma linha ondulante, tendo como ponto central o largo da fonte, reconstruída em 1999, conforme informava a placa, por onde todos os visitantes entravam deixando os meios de transporte para trás. As casas de xisto, erguiam-se umas a seguir às outras, formando estreitas ruelas, ou então pela encosta acima, rodeadas de verdura. Eu fiquei pelas ruelas ...
“As paredes das casinhas, construídas ao longo de anos por pedreiros locais, são bem travadas por duras e naturalmente facetadas pedras de xisto, de um colorido que dispensa a cal", como já li algures. E cliquei muito. Estão mais abaixo postadas, todas as fotos que consegui tirar.
A serra, essa é irregular, mas os socalcos são aproveitados para cultivo. Os vales continuam lá bem ao fundo. Ao longe, muito ao longe, vêem-se as serras do Buçaco e do Caramulo, mais protegidas do que a Lousã, sendo que esta última é o primeiro obstáculo à humidade que provém do Atlântico, informei-me.
Vê-se tudo isto do Talasnal.
Não vi gente que lá morasse. Não fui ao "Ti Lena". Apenas ouvi as vozes do que me pareceu ser uma taberninha - "O curral". Esteve nas minhas espreitadelas. Não entrei, porque talvez já não conseguisse saír sem ser de gatas.
Ah!, as fotos mostram: Vi uma criatura - um gatinho castanho - com o qual tentei manter dois dedos de conversa. É a minha sina. Pareço o Dr. Doolittle.
Haviam muitos turistas, isso sim.
Para terminar - como qualquer uma das crianças que por lá andava em visita e que decerto irá escrever na redacção pedida pela professora sobre como passou o fim de semana - digo: gostei muito de visitar o Talasnal.

Do Talasnal à Cerdeira de Góis - de volta a casa

Foto de GuidinhaPinto: Outras Serras
Foto de GuidinhaPinto: Ainda nas núvens
Foto de GuidinhaPinto: Ao fundo, o Mar ???
Foto de GuidinhaPinto: Quase no Trevim

Saímos do Talasnal, já o Sol estava a baixar. Corria uma aragem. Um belo passeio num belo fim de tarde.

Santo António da Neve e Trevim

Foto de GuidinhaPinto: Trevim e aeromodelismo
Foto de GuidinhaPinto: Parque eólico
Foto de GuidinhaPinto: O "meu" Penedo em fundo, olhado por detrás

Seguiu-se o Santo António da Neve. Não parámos e prometo que postarei fotos que tenho num álbum - à antiga. Irei buscá-las, "scaná-las" e "postá-las" numa outra ocasião. Ilustra-las-ei com a história do local.

Quando passavamos no Trevim, alguns carolas estavam a praticar aeromodelismo. Sobre este marco geodésico (Trevim), procurei e em http://us.geocities.com/altardotrevim/abertura.htm copiei:
- A cerca de 20 quilómetros da Lousã, quando a estrada que galga a Serra atinge a altitude de 1.000 metros, ramifica-se para a esquerda uma estrada de turismo, em bom estado de conservação, que conduz ao Trevim e ao Santo António da Neve, os dois picos culminantes da Serra da Lousã, com 1.200 e 1.180 metros de altitude, respectivamente, que se podem visitar de automóvel ou camioneta. Do Pico do Trevim abrange-se um dos mais vastos, senão o mais vasto panorama que das serras de Portugal se pode abranger.
Para quem está voltado para o Sul é esse panorama limitado pela Serra do Muradal, Serras de Vila Velha de Rodão e Mação, Alto Alentejo, Serra de Aire, Serra dos Candeeiros, o Mar e a Serra da Boa Viagem (Figueira da Foz); e para quem se volta para o Norte os limites são o Mar. o Buçaco, o Caramulo, o Montemuro, a Estrela, a Gardunha, até se encontrar de novo a Serra do Murada, que limita pelo noroeste a região de Castelo Branco.
Dentro desta extensa região, que deve ser sensivelmente um terço de Portugal continental, vêem-se Coimbra, Montemór, Figueira, Miranda, Anadia, Cantanhede, Penacova, Poiares, S.tª Comba Dão, Tondela, Oliveira do Hospital, Nelas, Mangualde, Fornos, Gouveia, Cernache do Bonjardim, etc., e centenares de outras mais pequenas povoações.
Junto à Serra, mil e tal metros mais abaixo, as veigas da Lousã, Miranda e Góis, e para sul o vale da Ribeira de Pêra, onde as povoações se encostam umas às outras: Castanheira, Coentrais, Sernadas, Sapateira, Bôlo, Vilar, Troviscal, etc."

É a olhar as fotos e a sonhar visitar um destes dias, as terras aqui descritas por outros mais antigos, mas por estradas alcatroadas. Ai! Ui!

O agradecimento é a memória do coração - Lao-Tsé

Foto de GuidinhaPinto: Penedos vistos da Cerdeira de Góis

Esta vai ficar sozinha. Repare-se no primeiro pico do lado esquerdo. Foi até aí que eles - os Homens - subiram. Os 3 Homens da estória. E eu fiquei a ver navios ... pois quem não pode, arreia, frase de um Amigo ido, Dr. Costa Mira.

Hoje, passados alguns dias sobre o acontecido, digo - Valeu a pena. Sem dói-dóis ... dói-dóis? já nem me lembro e repetirei se ele me convidar!

Agora é partilhar estas imagens e esta estória. Obrigada Irmão por mais este passeio.

Para si que me visita, bons passeios virtuais pela minha "Serra do coração".




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Para o profeta, que me visita num outro sítio, com amizade

Foto de GuidinhaPinto: Serra da Lousã, a cerca de 1 000 metros de altitude, em Outubro de 2007

... / ... Incerta é a viajem na procura do mais profundo
No céu o sol sorri para mim
Sento-me, bem cá do alto, abraço este … maravilhoso Mundo…

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Os Céus do meu sítio. Fotos de Guidinha Pinto

Frio Inverno, com Estrela nevada em fundo.
Verão, depois da passagem de aviões.
Verão, mas brrrrr!
Verão apetecível. Primavera: dois pingos de chuva anunciando trovoada.
Os céus da "minha terra"
não são iguais a nenhuns outros.
Os ares da "minha terra"
respiram-se devagar, lavam a alma.
Os cheiros da "minha terra"
são de estrumes, de árvores, de terra.
Parece-me que para já
nada perturba a "minha terra"...

Ribeira Cimeira - de passagem




Estas fotos tiradas por mim, mostram outro Lugar - Ribeira Cimeira. Ao descer da Pena em direcção ao meu sítio, podemos passar por aqui. Conheço alguns naturais da Ribeira Cimeira. É a povoação vizinha mais próxima do meu sítio, habitada por bastantes pessoas, durante todo o ano.

Por este motivo, a convivência pode ser maior - se o quizermos. Sei algumas histórias das pessoas de lá. Como ainda são bastantes os residentes na Ribeira, têm mais hipóteses de "se mostrarem". Quero com isto dizer que se parássemos na fonte/chafariz para beber água, ou para olhar as vistas, decerto apareceríam pessoas para nos saudar com um "bom dia" pelo menos. Depois como são muito conversadeiras, encaminhariam a conversa para saber quem eramos, de onde eramos ... e daí, com dois dedos de conversa ainda pensaría "inda més", ou então conheceriam os meus antepassados muito bem.

Também nesta povoação há jovens da minha geração e mais novos a reconstruirem casas de xisto que se encontravam em ruínas, aumentando depois a habitação de uma forma equilibrada, como mostra a foto segunda. Mas sem ajudas do Governo, claro ;)

Embora muito perto umas das outras, as povoações que salpicam a Serra da Lousã, eram no início todas construídas em pedras de xisto. A pouco e pouco, com os dinheiros dos Brasis ou do Volfrâmio, ou mesmo de Lisboa, a arquitectura das construções foram-se alterando. Abandonaram as de pedra, onde nasceram e passaram decerto fome, e construiram em outro terreno. As aldeias de casas de xisto a pouco e pouco desapareceram. Principalmente as que se encontravam mais perto das estradas, por onde passava o futuro. As que se encontravam mais recônditas, ou ficaram abandonadas pelos herdeiros ou os habitantes não tinham posses para as mandar modificar - estas são hoje o motivo para passeio e para a prática de turismo rural.

Por isso devemos visitar a Serra da Lousã e as suas Aldeias de Xisto, as mais bonitas de Portugal. Tenho dito.

P.S. - A última foto foi tirada na subida para o meu sítio. Lindas paisagens estas, não são?

Um dia de muito calor





Em dias quentes de Verão, quando não tinhamos carros e íamos para a "terra" passar as férias, frequentemente meus Pais íam até à barroca. Este local, ainda existe. É o que se vê, nestas fotos. Uma ponte com mais de 100 anos a atravessá-la, arranjada há poucos, une as duas margens separadas por um regato de água com nascente perto do Vale Torto. Junto à ponte, a juzante, havia um moínho, penso que comunitário, que à custa da força da água movia duas mós que trituravam os grãos do milho. A pouco e pouco, ao longo dos anos, deixou de servir. O local foi sendo invadido e coberto pela vegetação autoctone.

Esteve muito calor, de novo, há uns dias atrás. Pedi a Marido: - Vamos até à barroca? E fomos, de carro até próximo - o calor é demasiado para ir a pé - depois descemos por um carreiro coberto por silvas, fetos, tojos até chegarmos à água. Ai! Ui! Mas eu sou para o teimoso e ainda não perdi o jeito de "cabrita". Paro, olho, recordo. Tiro os sapatos. Entro devagar, que aquelas pedras magoam os pés. A água, gelada, arrepia-me e refresca-me. Depois é arranjar um calhau que me sirva de acento, no sítio onde a altura da água é maior, sentar-me e chapinhar. As pernas ficam geladas. A minha Bianca não vai nisso. Molhou só uma patinha e implorou acento. Na minha toalha, pois então. Mais um cantinho no meu Sítio. Os sons da água a correr e dos ralos. Já quase não se vêem alfaiates. Marido partiu à descoberta. Eu fiquei um pouco mais "de molho" neste Paraíso. Quando regressámos a casa, já estava mais fresquinha.

Colhi urze para oferecer

Foto de Guidinha Pinto

Foto de Guidinha Pinto

Os passeios à tardinha, dentro do perímetro do Lugar, são uma benção para os sentidos. Os caminhos abertos à força de tanto serem pisados ao longo de anos, servem-nos de guias. Nunca me perdi, seguindo por um desses caminhos.

Entre urze, carqueja e tojo, pedras, xisto, pinhas, pinheiros, eucaliptos, castanheiros, badalos das cabras, num passeio a pé à tardinha, colhi urze. Lembrei-me de quando estava a trabalhar - depois das férias, enfeitava a minha secretária com um molhinho delas. Muitos perguntavam que flores secas eram aquelas. E eu respondia com um ar superior "urze"! E a resposta surpreendia-os: - Urze!!!??? Ignorantes.
É delas que as abelhas colhem o que precisam para produzirem um mel escuro e espesso. O mel lá da Serra. Aprendi a apreciá-lo desde pequenita, quando de férias com a minha Avó Olinda. Os "primos" quase todos tinham colmeias. Chegando a altura de as crestar e antes de espremerem o mel, ofereciam-nos um pedaço de favo - a melhor maneira de o conservar para consumo imediato, naquela altura, claro. Era para a menina, diziam. Ainda me lembro pequenita, de joelhos sobre um banco corrido, cotovelos sobre a mesa comprida, a olhar para um prato contendo um pedaço de favo. Vó Olinda cortava um pedacito (tinha de durar para os lanches durante as férias) com ajuda de garfo (de ferro) e faca (corticeira). Eu abria a boquita e ela dizia-me para chupar. E eu chupava e trincava, até só ficar na um pedacinho de cera, que depois era deitada fora (cuspida, a bem dizer). Ou então, quando o favo ficava esquecido no prato durante alguns dias, dentro da gaveta, aí pegávamos em pedacinhos de pão e molhávamos no mel que entretanto tinha escorrido. As duas. Muito me lambuzei eu ;)

Pois. Tempos que vão e não voltam. Voltemos então aos de agora.
Levei o molhinho para casa com um fito. Coloquei-o numa jarra, sobre a mesa. Não gostei, faltava luz. Então fui à janela. Equilibrei-a o melhor que pude, no parapeito. Aí sim. Fui buscar a minha máquina dos retratos. Olhei mais uma vez para escolher o melhor ângulo. Cliquei, vi o efeito e guardei. Já tinha a quem a oferecer.

Urze com amizade

Foto de Guidinha Pinto
Ofereço este bouquet de urze à minha amiga virtual "avó Guida".
Porque sim.

Aigra Nova - a caminho





A Aigra Nova apareceu-nos assim, na encosta da Serra. Ao longe, o Parque eólico como que plantado pelos cabeços mais altos da Serra da Lousã.

Ao sairmos do nosso carro, um habitante de quatro patas com menos de dois palmos de tamanho, amávelmente veio ter comigo, abanando a cauda e emitindo sons de contentamento. Habituada que estou a "falar" com animais, depressa arranjámos um seguidor na visita pela Aldeia. Pequenino! Assim que lhe chamava isto mesmo, ele corria para mim e acto contínuo mandáva-se para o chão e mostrava a barriguita, com as pernas no ar em jeito de entrega. Uma fofura. Mais festinhas e lá se levantava ele e seguia à nossa frente. Mas gentes? Não vimos não senhora!. Andariam decerto pelas "fazendas" na apanha de feijão ou na rega de semeaduras recentes. Havemos de lá voltar, já que esta aldeia está ainda em reconstrução.

Maior que a anterior, possui o que eu mais admiro nas casinhas de xisto: para além da traça tradicional claro, os alpendres e as varandas. O que eu gosto de olhar e ver estes alpendres e estas varandas. Ao olhá-los, lembro os meus Bisavós Maternos - Zé Caneco e Maria. Saudades deles e desses tempos.

Góis, o meu segundo Concelho

Góis. A 10 km de distância do meu sítio. Com as estradas de entrada e saída acabadinhas de alcatroar, alargadas, sem buracos e com as curvas cortadas e consequentemente mais rectas.
Dá gosto estar naquele pontinho da Serra da Lousã, sem ser em Agosto, por ser o mês eleito para férias pelos portugueses. Já lá vai o tempo em que nos divertíamos muito no mês de Agosto. Agora, com a sabedoria dos mais velhos, procuramos a quietude daquele espaço.
Vamos em Setembro porque acabaram as ruidosas festas em honra das padroeiras com as respectivas atracções artísticas nacionais para os migrantes. Carros para cima, carros para baixo. Gentes, cumprimentos, barulhos, uma babilónia!
Em Setembro, ficamos com o que resta das relvas verdinhas durante quase um ano inteiro, graças àquele espaço ter sido descoberto há poucos anos pelos "Motoqueiros" .... as motas, os carros, as botas, as tendas, as pessoas que ficam e que passam e disfrutam e estragam ... deixam ficar os euros mas também alguma destruição do ambiente criado de propósito para eles. Nós, os que vamos a seguir tentar usufruir do mesmo espaço que eles, notamos os estragos.

A Góis vai-se para:
- Fazer compras (ao mercado/feira às 3ªs feiras), ao Mini-Preço (uau), ao talho do Albino (boa cabra, porco, vaca, chouriços...), diversas mercearias que apesar de tudo se mantêm abertas graças à simpatia dos atendedores, loja de ferragens (onde tudo o que não é para alimentar ou para cobrir o corpo é vendido), oficina para transformar camas de ferro em bancos corridos (mandei lá fazer 1 que vai estar pronto lá para o 5 de Outubro).
- Almoçar e jantar - até já tem Pizaria - Alto da Seara ;) - ou no Beira Rio ou no Primavera;
- Fazer um pic-nic - no Cerejal ou no parque do Rio Ceira, perto da Ponte;
- Cavaquerar nas noites quentes na esplanada sobre o Rio Ceira.
- Ou simplesmente visitar e clicar com a máquina de fazer retratos.
Também, para Casamentos, Baptizados, Funerais, mas não desta vez.

É uma Vila pequenina, mas administrativamente é um Concelho espaçoso. E todos sabem quem são estes ou aqueles ou aqueloutros. Todos se são.
- "Aquele inda mé!".
- "Inda té"?
- "Sim, é mé primo em quinto grau!"

A serra da Lousã constitui o elemento mais significativo ao nível do seu Património Natural.

Quando chego a Lisboa, o desejo de ver o que cliquei é superior ao arrumar das malas. Já não estamos em férias mas é como se continuassemos, durante mais uns instantes.

E são esses instantes que eu deixo aqui postados, para os partilhar convosco, que me visitam.

"Góis - Município português pertencente ao distrito de Coimbra, compreendendo 5 freguesias (Alváres, Cadafaz, Colmeal, Góis e Vila Nova do Ceira).
Em termos demográficos, a população, em 1991, era constituída por cerca de 5400 residentes para uma área bruta de 262 km2, e a variação da população residente entre 1960 e 1991 foi de -45%.
A economia municipal assenta, sobretudo, na silvicultura, destacando-se ainda a agro-pecuária e a administração local.
Localizada a norte da Serra da Lousã, a leste da Cidade de Coimbra e a nordeste da Vila da Lousã, a Vila de Góis é Sede de Município.
O património edificado mais significativo inclui a igreja matriz (originalmente gótica, mas modificada), a ponte sobre o rio Ceira (manuelina), a Casa da Quinta e a capela de Nossa Senhora da Candosa, em Vila Nova do Ceira.
Pensa-se que começou a ser povoada no tempo do conde D. Henrique. Teve foral outorgado por D. Manuel I, em 1516."

In: http://www.flickr.com/photos/vitor107/sets/1420858/

O acordar

Foto de Guidinha Pinto: Penedo de Góis

Alvor do dia 2 de Setembro de 2007. Ao acordar da primeira noite de sono na casinha, fui olhá-lo. Como sempre. Sem grandes barulhos que os restantes residentes ainda dormiam. Lá estava ele, o Penedo. Continua lá, indiferente a quem o cumprimenta. Nem mesmo a luz do Sol que começa a banhá-lo com um brinde diário, o abala. 1ª manhã de 15. Adivinha-se um dia de calor. E este cheiro da terra, tão diferente do cheiro da cidade... inspiro-o e sinto-me em Paz.

Foto de Guidinha Pinto: A Lua da 2ª noite de férias

A noite da 2ª noite de férias. Os cheiros e os sons são diferentes dos da manhã. E tem a Lua. Em quarto minguante. A qualidade da foto é a que se constacta. Mas fui eu que a cliquei e lembrar-me-ei do momento sempre que a olhar.

Ainda há pastores? Sim há!



Foto de Guidinha Pinto: Serra da Lousã

Claro que ainda há pastores! Na minha Serra da Lousã, pois então?!
Não pastores de rebanhos alheios, mas próprios. A minha prima Laura é pastora! Quer chova, quer faça vento ou calor, ela tem de tratar das suas cabrinhas. Não foram ainda filmá-la, mas quando eu estou lá, gosto de as visitar, principalmente se há cabritinhos. Fotografo-os. Vou dar aqui o meu testemunho.
Nesta Serra, ao lado da Estrela, os povoados estão mais perto uns dos outros e as gentes não se sentem tão isoladas. Claro que também gostam de ouvir Quim Barreiros, esse homem do acordeão e das brejeirices. Faz parte ;) E há muito poucos anos a água foi levada para
dentro das casas, e se mandaram fazer casas de banho, e foi baixada a electicidade!

Qual o espanto? Não conhecemos Portugal?