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Sobre a Saúde e sobre a Cultura

Foto de GuidinhaPinto: Centro de Saúde de Góis

Ir para a Rua e manifestar o nosso descontentamento. Tem de ser. Mexeu pouco? Não. Na pessoa do Ministro da Saúde, pelo menos, já mexeu.

E aproveitaram e deram alta a outra senhora ministra, a da Cultura. Mas não fecham o ministério, substituem nas cadeiras, só isso. Mas que Cultura precisa de Ministra? Um Secretátio de Estado chegava! No Canal 1, que cultura? Na 2, um pouquinho diferente, para melhor. Livros C, Dança - a que preço os bilhetes? Quem pode pagar? Que Cultura? Ah! Já sei. A da bola. Ok. Escolhas. Gostos.

O que está a passar-se ao nível do Serviço Nacional de Saúde é muito triste.
As manifestações na rua contra as alterações no sistema a que tenho assistido na televisão, lembram-me sempre o que a direita (estúpida e ignorante) dizia após o 25 de Abril, para não perder votos:-*Os comunistas dão uma injecção atrás das orelhas dos velhos para acabarem com eles. Não votem nos comunistas*. Ah! e mais: -*Os comunistas comem criancinhas ao pequeno almoço*. Alguém se lembra?

Esta política actual não manda dar injecções atrás das orelhas dos velhos. Mas retira-lhes a possibilidade de continuarem a ter assistência médica quando necessitam, perto das suas casas. Os edifícios e os móveis e os utensílios existem. Gastaram o dinheiro dos contribuintes e agora fecham-se? Outros políticos os inauguraram com pompa e circunstância - o tradicional corta-fitas, sorrisos, bater de palmas. Então?!

Este sistema actual não come criancinhas ao pequeno almoço. Mas retira-lhes as melhores condições de virem a este mundo, fazendo seus progenitores no melhor e no pior dos momentos entrarem num sufoco: Onde vamos dar à luz e em que condições.

Esta política que tira a assistência médica à faixa hetária maioritária no nosso País, é desconcertante. Há muitos velhos? Muitas pensões a pagar? Para lá caminhamos todos, os que estão hoje vivos. Todos queremos chegar a velhos! Disso tenho a certeza. Mas ... Um homem de 70 anos caíu da maca e morreu por traumatismo craneano, na urgência de um Hospital. Outro teve alta e foi abandonado nu, coberto só com um lençol, na urgência de um hospital. Sobreviveu porque vizinhos o foram buscar e levaram roupas para o vestir. E no Hospital de Faro?! Todas aquelas pessoas doentes acumuladas em macas pelos corredores?! Estas são notícias de povos de Terceiro Mundo. Não de um País-Povo que foi descobridor de novos mundos há pouco mais de 500 anos, que há 30 anos fez aprovar uma Lei do Serviço Nacional de Saúde que tomaram os Americanos ter, que se encontra numa Europa-comunitária e tem ares de 1º Mundo, quando mostra ao Mundo como se fazem reuniões a nível Mundial!!!

O Ministro da Saúde, seja ele ou ela quem for, tem de conhecer a fundo as necessidades do seu povo. Tem de ser Médico, bolas. Ou estar rodeada/o deles (eu ainda acredito nos Médicos). Tem de conhecer o País e os meios que dispõe para prestar Assistência na Saúde ou melhor, na falta dela, na Doença. Tem de falar e estar ao lado dos profissionais de saúde antes de alterar seja o que for. Tem de dialogar. Tem de ouvir. Afinal os Administradores Hospitalares são nomeados pelo Governo! E tem de nos explicar, a nós, o Povo, o Zé, os porquês de ter de fechar. E antes de fechar, verificar se o que substitui está a funcionar. Tem de nos convencer que é para o nosso bem. Não para o bem da Economia. Cortem noutros Ministérios. No das tropas, por exemplo. Nas compras de aviões em 2ª mão aos Americanos, que depois andam pelos ares a experimentar alterações e peças novas e se estampam. Estes brinquedos custam muitos comprimidos e honorários médicos. Querem que nós façamos parte da NATO? Contra quem, agora? ET's? Damos o pessoal. Deem-nos meios, não nos forcem a comprar-lhes as sobras. Bolas de novo!

Reformem, refaçam. Voltem atrás, não sejam demagogos. Não fechem mais nada, se não houver alternativas.

Trata-se da SAÚDE da população!!!

Falo por mim. Moro em Lisboa. Fui aposentada por incapacidade. Qualquer das vezes que tive um treco, forçosamente fui encaminhada para o Hospital de Santa Maria. Não posso dizer que esperei, porque os meus trecos são para serem assistidos logo. E por cá continuo, como se pode calcular pela exposição.

Mas também posso estar na Serra da Lousã. É a minha segunda casinha. Lá no cimo, perto do céu e como diz um amigo meu *onde o diabo perdeu as botas*.

Quando lá estou, não penso que me pode dar um treco! E tenho algumas probabilidades de isso acontecer. Mas ... e se me der o treco?
Vou descrever: Ou estou em condições físicas e psíquicas mínimas e posso escolher - Marido leva-me no nosso carro. Ou *não estou por cá* tomem conta de mim e terão de chamar os Bombeiros de Góis (dos quais somos sócios). O INEM lá, não chega. Só o elicoptero, se for solicitado. Os bombeiros, quando chegarem, farão a primeira triagem. Por mais que eu consiga informar que me devem levar logo para um Hospital, eles terão de seguir o protocolo e levar-me ao Centro de saúde de Góis (15 km curva contra curva). Tiram-me da maca e enfiam-me numa sala para ser atendida de urgência. Ser-me-há feita segunda triagem por um Médico de Família. Tatata, conversa, não teem laboratórios de análises clínicas, Sala de Raios X (existem aparelhos, mas estão por estrear). Não têm nada de nada para assistência cardio-pulmonar, que é a especialidade que o meu treco precisa. Esse Médico de Família vai elaborar um escrito e vou ser re-encaminhada para um dos Hospitais em Coimbra (40 e tal km de distância, mais de metade curva, contra curva). Arranjar ambulância de novo, não arranjar ... vou-me desta para a melhor num instante.
Muito mais dos 30 minutos demorei euzinha a ser realmente atendida por quem sabe e pode ajudar a salvar-me.
Que faço? Vendo a casinha? Vivo com medos? Nunca!

Se o treco me acontecer onde o diabo pedeu as botas, mais fácil será Marido ter coragem, metermo-nos dentro do nosso carro e rumar a Lisboa. Eu, conseguir falar comigo e acalmar-me. Perto de uma das grandes cidades - Coimbra, Tomar, Leiria - parar na autoestrada e chamar o 112. Já passaram os 30 minutos que o Governo planeou. Safar-me-ei?
... aqueles portugueses que vivem naquelas Vilas e Cidades que dispunham de assistência urgente na doença e deixaram de a ter por um simples e mero facto economicista, por não haver n-doentes que justificasse aberto o tal serviço de urgências ... é mesmo que dar as tais injecções por detrás das orelhas dos velhos, e dos novos e dos de meia idade. Não se mexe no que está bem meus senhores. Nós confiamos em VÓS para NOS governar.

Temos de ir para a rua lutar pelos nossos direitos. Lemos, ouvimos e vemos, não podemos ignorar.

Entidade Reguladora disponibiliza formulário para utentes registarem queixas

A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) anunciou tem disponível no seu portal um site onde os utentes dos serviços de saúde poderão apresentar as suas queixas num formulário específico.
Segundo fonte da ERS, citada pela Agência Lusa, o *Livro de reclamações online* é um instrumento que vem trazer aos utentes dos serviços de saúde públicos, privados ou do sector social, a possibilidade de, com rapidez e eficácia, apresentarem as suas insatisfações".

O novo serviço está concebido de acordo com "as mais recentes normas de acessibilidade, conjugando a facilidade de consulta e de navegação com um design simples".

Com a iniciativa, a ERS visa tornar mais eficiente e eficaz o contacto entre a entidade reguladora, os regulados e os utentes.

A Entidade Reguladora da Saúde é uma entidade de regulação e supervisão do sector da prestação de cuidados de saúde.

In Lusa

A inevitabilidade da morte

Hoje ouvi no noticiário e li em jornais falar-se sobre a Eutanásia.
Com o que sei por ter aprendido,comentarei noutro post o que penso dela.
Aqui, escrevo das pessoas com doenças.
Conheço o País onde vivo e algumas das várias opiniões das pessoas sobre a vida, os medos, as saúdes. E alguns dos pensamentos dos que nos tratam as doenças, nos Hospitais Públicos. Conheci aplicações políticas variadas dos diversos Ministros da Saúde e dos respectivos Administradores Hospitalares. Trabalhei cerca de 30 anos no IPO de Lisboa. Como Assistente Administrativa (Secretariado Clínico). Venho de 1973 (tempo da outra senhora) ... Saí em 2003. Assisti a muitas mudanças, políticas e de pensamento. É do tempo do meu I.P.O. a existência de dois quartos em cada um dos três pisos da Oncologia Médica, para cuidados paliativos. Nós, Administrativas, tal como outros funcionários públicos (que são desancados por todos, hoje em dia) sabíamos, compreendíamos. Respeitavamos as portas fechadas por sabermos o drama que se passava lá dentro. Será que ainda existem esses quartos? Pergunto-me. Conheço a vida sem saúde, a doença, o padecimento da pessoa humana com cancro. Também sei que há outras doenças degenerativas, da mesma forma agressivas e degenerativas.
Há que aceitar a inevitabilidade da morte! Eu, como pessoa Adulta e os Médicos! Os Médicos não sabem tudo. Não fazem milagres. Eu não acredito em milagres. Não sabem como tratar os doentes que já não têm tratamento. A ciência médica é assim. Tem evoluído na descoberta de novas atitudes terapêuticas, mas a "doença" também evolui por outros caminhos.
Os Médicos não devem "tratar" o intratável, porque nada mais sabem e podem fazer. Mas podem e devem ter consciência que não podem perder o controlo da situação e não abandonar o doente. Independentemente da política em moda.
Admiro os Médicos que pensam e agem: Não fazer mal.
Eu, nós temos de actuar ao mínimo sinal do nosso organismo. Sem medos. É o nosso corpo, é o meu corpo, é EU. Não podemos pensar que evacuar sangue é hemorroidal e deixar andar! Tem de ser diagnosticado e não adivinhado! Temos de agir. Medos?! E depois não é demasiado tarde? Eles, os Médicos, não podem cumprir a sua função e ajudar-nos a ficar bem.
Os Médicos sabem e transmitem-nos que quanto mais precocemente a doença for diagnosticada, mais possibilidades têm os tratamentos existentes de cumprirem a sua função. Os tratamentos dos tumores malignos seguem um protocolo: bichinho A, tratamento A; bichinho B, tratamento B... não há muito mais a fazer. Se forem administrados precocemente, são capazes de tratar e até curar! Só que estes tratamentos são tão agressivos que acabam com o resto do organismo vivo e são, se adiamos por medo a ida ao Médico. Foi o que aconteceu ao meu Amigo-ido Francisco, desde hoje com morada definitiva no Cemitério de Benfica. Há 14 meses diagnosticado e tardiamente (por seu desleixo) de um tumor maligno, foi operado e químio-tratado. Passou as passas do Algarve. Levou o resto da sua vida a ser mal-tratado. Sempre foi assistido, e bem, por uma equipa médica do Hospital Pulido Valente (H.P.V.), em Lisboa. Mas em vez de notarmos melhoras, fomos assistindo à degradação física e psíquica de um homem de mais de um metro e oitenta e 90 quilos de peso.
Em casa junto da família, o doente já não "arrebitou" e foi ficando debilitado no seu dia a dia. Quando o visitavamos íamos assistindo à sua degradaçáo, física e psicológica. Deixou de ser auto-suficiente nos seus mais básicos movimentos como levar alimento à boca, ter de usar fraldas deixar de comunicar com os próximos... “Não aguenta mais tratamentos” dizia-nos a Belmira, com a lágrima no canto do olho. Até que num momento e com uma réstia de lucidez pede ajuda - não estou bem! Sua mulher e filha contactam o seu Hospital e como resposta recebem: NÃO TEMOS VAGA PARA O DOENTE ... ! Nem aqui nem em Santa Maria???!!! Tinham uma carta em mãos, procurassem outro sítio onde o pudessem aceitar!!! No H.P.V. nada mais podiam fazer por ele.
As camas vagas dos Hospitais Públicos são para administrar tratamentos, não atenuamentos… Está tudo dito. Para bom entendedor… Havia dinheiro disponível? Vão-se os dedos e os anéis ... Chamaram uma ambulância e levaram o Francisco para o Privado mais perto de casa. O da moda. O Hospital da Luz. Hotel de 5 estrelas com prestação de Cuidados Paliativos.
E que são estes cuidados? Tratar a pessoa, não a doença dessa pessoa. Proporcionar-lhe todo o conforto, assisti-lo com medicamentos que controlem a dor, aliviar o seu sofrimento até que o coração pare por cansaço de tanta aflição. A família esperou. 9 dias. Olhava-o e via-o tranquilo. Ao fim desse tempo, veio a inevitável morte. Tranquilamente a família está de luto, mas em Paz.
Mas ... e se não houvesse possibilidades financeiras?