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Estórias







Houve um dia que Jolie me trouxe um saquinho com louro dentro. Tome lá, disse, louro do meu quintal. Agradeci, porque uso a folha do loureiro nos meus cozinhados. Peguei no saco e pu-lo em cima da máquina do café, num canto da bancada da cozinha, com intenção de escolher as folhas e guardá-las no sítio, mais terde. Estivemos na conversa e Jolie foi-se embora. Quando me lembrei do saco, já era chegada a noite. Quando o ía pegar, reparei num tubinho verde que em forma de L tentava subir pela parede acima. De dentro do saco tinham caído algumas folhas. E olhando mais melhor ainda, o bichinho era verde verde, com dorso e cabeça de dragão. Fui buscar o telélé e disparei a primeira foto. Depois chamei Marido e mostrei-lhe o brinde que tinha vindo com as folhas do louro. Lindo. Era mesmo lindo. Pena o telélé não ter capacidade de zoom para captar com nitidez os biquinhos do dorso, os olhinhos pretos, os cornichos com pontinhas encarnadas. Peguei numa folha de louro e tentei que ele passasse para ela. E passou! E começou a ondular, a deslocar-se, parecendo querer alimentar-se. Fui disparando. Clic, clic e aí estão as melhores fotos do bichinho. Que fazer com esta criatura? 
O jantar por servir, Marido com fome, mas ele estava primeiro. Peguei nas folhas todas e no bichinho e coloquei-os dentro do saco, que iria ser o seu esquife. Enquanto ele tivesse alimento, tentaria sobreviver. E mandá-mo-lo janela fora, para as traseiras do prédio, onde coabitam gatos, melros, pombos, andorinhas, pardais e caracóis.

Comece por fazer o que é necessário, depois o que é possível e de repente estará a fazer o impossível ¨

Foto de GuidinhaPinto: .../ ... o impossível
No meu último passeio à Baixa de Lisboa, cliquei algumas estórias. Esta é a de um pombo.
Quem já não conversou alguma vez com seu cão, gato ou pássaro doméstico? Todos nós fazemos isso. Perto das 13:00h, eu e Mãe estávamos matando a fome, com uma refeição rápida no Pan's & Company, numa das ruas perpendiculares ao Tejo. Degustando um pão de côdea fininha e estaladiça, recheada com frango desfiado, alface, tomate, maionese ... reparei num pombo (ou pomba) que esvoaçava baixo, à porta. Poisou na rua, à entrada do estabelecimento. Deu um pulinho e entrou. Chamei a atenção de Mãe. Ela virou-se na cadeira e ambas olhámos a ave, admiradas. Não demonstrava receio, picou, descontraída, todas as migalhas que encontrou no chão, caminhando e dando balanço ao pescoço, para a frente e para trás. Peguei num pedacinho da minha sandes e deixei cair junto à minha cadeira. A seguir, pousei-a no prato. Peguei no meu telélé para o trazer para casa, com um clic. Fui clicando, por diversas vezes. Ele veio vindo e parou junto dos meus pés. Picou duas ou três vezes a migalhinha, olhando-me de lado a ver se caía mais ... Continuei imóvel. Ele seguiu com uma rota certa. Qual não é o nosso espanto, entrou na zona de preparação dos alimentos - a cozinha. Está postada em cima, a foto escolhida. Notei uns olhares contrariados, outros sorridentes perante a situação. Não te envergonhes se, às vezes, animais estejam mais próximos de ti do que pessoas. Eles também são teus irmãos¨ ... Por lá esteve alguns segundos. Depois veio, com todos os vagares, tornou a passar pelos pés de quase todos os que se encontravam na loja e saiu para a rua, num voo baixinho. Acabamos a refeição, satisfeita a necessidade de alimento e em boa disposição.
Eu tenho uma bichinha em casa. Uma cadelinha. A Bi. Sempre gostei de animais e sou incapaz de pisar uma formiga. Talvez por isso eu tenha conseguido aprender de novo a viver. Estão a fazer 5 anos que me mandaram para casa. Tive de buscar novos alentos para não me desmoronar. Sei por experiência própria que os animais nos podem transmitir ensinamentos sobre a sua natureza. É bem verdade. Um jornalista norte-americano, de nome Bill Zimmerman, fez um pequeno livro reunindo lições que aprendeu com seu cão. Tomei nota de alguns princípios básicos ensinados pelo animal, a partir do exemplo e não das meras palavras, num papelito. Fui procurar na minha caixa dos papelitos por editar e encontrei. Aí estão:
* Saúde cada novo dia com renovadas esperanças. Apague da memória toda mágoa e decepção do dia anterior. (p. 2)
* Saia para o mundo para descobrir coisas novas. Use o seu faro em qualquer situação, com paixão. Seja curioso, sempre: há muito que ver e aprender. (p.1 e p.17)
* Observe o mundo à sua volta. Mantenha a guarda até que tudo se esclareça. (p. 6)
* Esteja preparado para rosnar ou mostrar os dentes para proteger o que é seu. Só morda como último recurso. (p. 22)
* Seja prático. Saiba quando latir, quando uivar, quando ganir, e, sobretudo, quando ficar de boca fechada. (p. 60.)
* Seja leal a quem cuidou de você. Não seja nunca um traidor. Não é bom ser instável. (p. 36)
* Faça longas caminhadas. Elas desanuviam o espírito. (p. 25)
* Seja amável: você sempre acha algo de bom num ser humano. (pp. 55 e 57)

Naturalmente, não só os cachorros podem ensinar os seres humanos. As lições de sabedoria estão, literalmente, em toda parte ao nosso redor. “Até pedras dão sermões”, afirmou no século IX um Raja-Iogue dos Himalaias. Devemos apenas perguntar-nos até que ponto podemos olhá-las e colocá-las em prática.
¨São Francisco de Assis

/ ... também é gente, guindastes .../ ...


Fotos de GuidinhaPinto: Cais do Sodré


O cais do Sodré não é
só bares de prostitutas
também é gente a alombar
caixa de peixe e de fruta
não é só o mal que passa
na kananga do japão
também é cais onde embarca
quem busca no mar o pão
Ai cais do Sodré
ai cais do Sodré
mais vale parecer
que ser o que é
ai cais do Sodré
ai cais do Sodré
nem todo o sapato
te serve no pé
O cais do Sodré não é
só rusga que vai e vem
também é gente que mora
num largo que há muito ali tem
gente com filhos mulheres
e a renda da casa em dia
gente que apenas trabalha
e no trabalho confia
O cais do Sodré não é
só refugio de falsários
também é gente, guindastes
movidos pelos operários
não é só amor que passa
na kananga do japão
também é cais onde embarca
quem busca no mar o pão
Apanhamos o 58 para o Cais do Sodré. A Praça da Ribeira já não é o que era. No rés-do-chão é só flores. No 1º andar, comeres. Penso que actualmente, este poema de Avelino Couto cantado pelo Rodrigo, não tem muito a ver com o actual estado do Cais do Sodré. Ainda não sei muito bem como vai ficar. Está tudo em obras ...

Dá, se puderes; se não puderes, sê afável *

Foto de GuidinhaPinto: Chamariz

É impressionante a quantidade de pessoas - imigrantes de diversas origens do planeta Terra - que nos abordam, pedindo, contando histórias. Pedem dinheiro. Ofereço-lhes alimento, elas agradecem, mas querem dinheiro.

Nas ruas da Baixa lisboeta eles estão proliferando como cogumelos no Outono. Eu vou passando, olhando, vendo com olhos de ver. É para isso que me desloco à Baixa. Para a saborear. Como há muitos anos atrás, quando ir até à Baixa era sinal de passeio, de tarde bem passada, de compras.

Olhar de hoje e olhar de há anos, mas que grandes diferenças. Lembrar alguns prédios, as ruas empedradas, os eléctricos e autocarros, os pombos, as floristas. Os cafés e leitarias, as esplanadas, os engraxadores de sapatos, os vendedores ambulantes-de-gravatas-fitas-de-nastro-pentes-para-pentear-carecas, os cauteleiros, as montras dos grandes armazéns - Grandela, Chiado, A Casa Africana - a loja dos discos da Valentim de Carvalho na Rua do Carmo - onde podíamos ouvir um single ou um LP dentro de umas cabines com auscultadores nas orelhas e pedir fotos autografadas dos nossos artistas preferidos ... para onde os mandámos? Desapareceram.
Céus, para onde me levou este tema. Eu só queria mostrar o cãozinho!

Pois hoje, está lá um pouquinho só, destas minhas recordações.

Mais pobre, a minha Baixa lisboeta está mais rica em mendigos. Mãos estendidas, mãos a tocarem-me, membros doentes expostos, invisuais a tocarem mal instrumentos, um jovem a tocar acordeão com um chamariz - um cãozinho, que fotografei.
*Não podes dar a todos*, recomenda a senhora minha Mãe, que faz muito gosto em me acompanhar no passeio. Já fomos muito felizes em momentos passados há anos, na Baixa lisboeta.
E na realidade chego a um ponto de saturação quando sou de novo abordada, pela enésima vez e só sorrio e peço desculpa por não poder abrir de novo o porta moedas. Mas não sei lidar com mãos estendidas. Não fico bem comigo mesma.
Ir até à Baixa é bom. Mas fica-me sempre um saborzinho amargo porque a miséria de alguns convive com o meu bem estar, com a minha satisfação de dar um passeio numa tarde de Primavera com a senhora minha Mãe por companhia.
* Santo Agostinho

Prostituição - a mais velha profissão do mundo

Madame Bel de Pablo Picasso


O Ministério do Trabalho e Emprego Brasileiro tem uma página na Internet. Até aqui, nada de novo. Mas ... e aí vem a diferença: faz da Prostituição uma Ocupação Brasileira como outra qualquer, um TRABALHO. Vou fazer copy-past. No original, sem correcção ortográfica.

- Indica em 5198-05, que Profissional do sexo tem diversos TÍTULOS: Garota de programa, Garoto de programa , Meretriz , Messalina , Michê , Mulher da vida, Prostituta , Puta, Quenga, Rapariga, Trabalhador do sexo, Transexual (profissionais do sexo), Travesti (profissionais do sexo).
- Na Descrição sumária indica que: Batalham programas sexuais em locais privados, vias públicas e garimpos; atendem e acompanham clientes homens e mulheres, de orientações sexuais diversas; administram orçamentos individuais e familiares; promovem a organização da categoria. Realizam ações educativas no campo da sexualidade; propagandeiam os serviços prestados. As atividades são exercidas seguindo normas e procedimentos que minimizam as vulnerabilidades da profissão.
- Nas Condições gerais de exercício, informa: Trabalham por conta própria, na rua, em bares, boates, hotéis, porto, rodovias e em garimpos. Atuam em ambientes a céu aberto, fechados e em veículos, em horários irregulares. No exercício de algumas das atividades podem estar expostos à inalação de gases de veículos, a intempéries, a poluição sonora e a discriminação social. Há ainda riscos de contágios de DST, e maus-tratos, violência de rua e morte.
- Na Formação e experiência indica: Para o exercício profissional requer-se que os trabalhadores participem de oficinas sobre sexo seguro, oferecidas pelas associações da categoria. Outros cursos complementares de formação profissional, como por exemplo, cursos de beleza, de cuidados pessoais, de planejamento do orçamento, bem como cursos profissionalizantes para rendimentos alternativos também são oferecidos pelas associações, em diversos Estados. O acesso à profissão é livre aos maiores de dezoito anos; a escolaridade média está na faixa de quarta a sétima séries do ensino fundamental. O pleno desempenho das atividades ocorre após dois anos de experiência.
- Nas Áreas de Atividades destaca: BATALHAR PROGRAMA :: MINIMIZAR AS VULNERABILIDADES :: ATENDER CLIENTES :: ACOMPANHAR CLIENTES :: ADMINISTRAR ORÇAMENTOS :: PROMOVER A ORGANIZAÇÃO DA CATEGORIA :: REALIZAR AÇÕES EDUCATIVAS NO CAMPO DA SEXUALIDADE (cada uma delas com desenvolvimento).
- Nas Competências pessoais:
1 Demonstrar capacidade de persuasão
2 Demonstrar capacidade de expressão gestual
3 Demonstrar capacidade de realizar fantasias eróticas
4 Agir com honestidade
5 Demonstrar paciência
6 Planejar o futuro
7 Prestar solidariedade aos companheiros
8 Ouvir atentamente (saber ouvir)
9 Demonstrar capacidade lúdica
10 Respeitar o silêncio do cliente
11 Demonstrar capacidade de comunicação em língua estrangeira
12 Demonstrar ética profissional
13 Manter sigilo profissional
14 Respeitar código de não cortejar companheiros de colegas de trabalho
15 Proporcionar prazer
16 Cuidar da higiene pessoal
17 Conquistar o cliente
18 Demonstrar sensualidade
- Indica Recursos de trabalho:
* Guarda-roupa de batalha
* Preservativo masculino e feminino
* Cartões de visita
* Documentos de identificação
* Gel lubrificante à base de água
* Papel higiênico
* Lenços umidecidos
* Acessórios
* Maquilagem
* Álcool
* Celular
* Agenda
- Nomeia Especialistas:
Cassandra Fontoura
Flavio Lenz Cesar (jornalista do Beijo da Rua)
Gabriela Silva Leite
Imperalina Piedade da Silva
Janete Oliveira da Silva
Maria de Fátima Medeiros Costa
Maria de Lourdes Barreto
Marilene de Jesus Silva
Rozeli da Silva
- e Instituições:
Associação das Mulheres Profissionais do Sexo da Bahia (Asproba)
Davida - Prostituição, Direitos Civis, Saúde (Rio de Janeiro)
Grupo de Apoio à Prevenção da Aids (Gapa-MG)
Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará (Gempac)
Igualdade - Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul
Núcleo de Estudos da Prostituição de Porto Alegre
Instituição conveniada responsável DDC.

- Indica Tabela de Actividades e na Conversão ... só lá indo ver. Realmente só lido.

Senhores Deputados portugueses, Senhores membros do Governo Português: Há muito para fazer neste campo profissional. Há mais oferta que procura. Eles existem. Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar. Passei há dias pelo Martim Moniz, numa volta por Lisboa. Eles estavam por ali, oferecendo os seus know how's. Eu olhei e vi-os, passei junto a eles. Ali parados, a olhar quem passa. Pessoas a clandestinamente a vender por tuta e meia o que no Brasil é considerado trabalho. Uma miséria em forma humana. Uma exploração. O que aquela gente deve sofrer. Ninguém olha por eles neste País! Vamos transformar estas pessoas em profissionais do sexo, dar-lhes garantias, cursos de formação, férias, subsídios, direito a maternidade e paternidade, reformas ... como a qualquer outro trabalhador por conta própria. Cobrar impostos, meus senhores!!! Cobrar impostos!!! Nem por aqui lá vamos?

Consultando esta página
, onde fui buscar o que está escrito em cima, podemos perceber porque há tantos profissionais do sexo, brasileiros, imigrados cá, que demonstraram que estão muito melhor habilitados que os nossos, portugueses. É que são mesmo profissionais, pronto! O Governo Brasileiro garante. E as Mães de Bragança que o testemunhem, lembrei-me agora! Por falar nestas últimas, li aqui uma brincadeireirinha. Vamos recordar a história?

Vem aí o fim de semana

Parece que vai estar convidativo a passeios dos tristes. Mas muitos destes passeios, acabam mesmo tristemente. Guardei a página de uma revista - TempoLivre - de Dezembro de 2005. Tinha dois artigos. Um deles, Sereias metálicas. O autor, Fernendo Dacosta. É este, que vou escrever.
*A nossa maneira de viver reflecte-se na nossa maneira de conduzir. Por isso, quem vive inquieto conduz com inquietação. Ao volante todos se transformam, o automóvel torna-se um mundo onde (finalmente) mandamos, nos sentimos livres, realizados; torna-se um novo, outro corpo físico, possante, veloz, protector, fiel. Que nos obedece ao pormenor, resguarda de cansaços, de frios, de agressividades.
A melopeia do andamento, a volúpia das mudanças, da brisa no rosto estabelecem (entre a máquina e a pessoa) relações de cumplicidade, de intimidade indefinidas. Há quem fale com o carro, o acaricie, o admoeste, o ame, o destrua.O conforto do habitáculo, o ritmo da deslocação diminuem a energia do consciente; passa-se a dirigir mecanicamente, envolto, como no cinema, numa languidez fluida. As coisas deslizam para lá das janelas num mundo-écran de que estamos separados por cortinas de vidro. O veículo é que enfrenta a realidade exterior, desempenha por nós o papel activo, interventivo. Em estado de graça, planamos sobre a estrada, sobre a vida, imersos nos nossos invólucros carnal e metálico. Basta ficar imóvel. Não mexer a direcção, não accionar os pedais, as alavancas. Para quê se o despertar trará o sofrimento, como quando se acorda e não apetece levantar para o desconforto, para a decepção?A fronteira encontra-se aí - afirmam os especialistas a propósito das altíssimas taxas de sinistralidade rodoviária - nas fracções de segundo em que o carro pode desfazer-se ou continuar, continuando-nos. O fascínio reside nessa imprecisão, nessa inocência.A euforia (que distorce os reflexos), a debilidade (que quebra a atenção), o cansaço (que afasta a realidade) geram situações que contribuem para as «falhas humanas» responsáveis pela maioria dos desastres - álibis que não decidimos mas não resguardamos.Há pessoas tão carenciadas que transferem para o carro a falta de ternura que não encontram nos outros. Um indivíduo nessas circunstâncias torna-se um indivíduo em perigo.Quando deixamos de ter interesse pela vida, e o stress actual provoca-o cada vez mais, refugiamo-nos nos mundos de evasão que construímos, na bebida, na droga, no sexo, no trabalho, na política, no futebol, na religião. Conduzir faz-se narcótico – ou o contrário, dilatador da tensão arterial, outra forma de provocar o acidente. Desde 1902, altura em que se deu na América do Norte a primeira morte por desastre de viação, já faleceram no mundo três milhões de pessoas – e 50 milhões ficaram estropiadas.«O homem mostra-se cada vez mais apaixonado pelo automóvel e o automóvel cada vez mais o está a suprimir», afirmava o prof. Vasconcelos Marques, responsável pela prevenção rodoviária entre nós. “Trata-se de uma guerra que está perdida já que todas as vítimas têm como grande ambição usufruir do instrumento que as pode vitimar. Se se disser que para o ano vão morrer quinhentas pessoas de febre tifóide passamos a ferver a água; mas se se disser que vão morrer duas mil em desastres de viação ficamos indiferentes”.Tudo em Portugal ajuda a isso: o altíssimo preço dos veículos, das reparações, da assistência, a incomensurável falta de civismo, de vigilância, de socorro.Frequentes são, assim, os desastres inexplicáveis, as quedas em ravinas, em pontes, em falésias, os suicídios cometidos dentro de veículos através de gases respirados e venenos bebidos devagar, ao som de cassetes, no entardecer, a hora preferida dos que se decidem pelo fim. O morrer com o automóvel fez-se significativo, como em certas civilizações com a mulher e os animais caseiros, disso. Irresistíveis ao canto metálico da nova sereia, enrolamo-nos nele e, em massa, aceitamos a imolação.*

Bom fim de semana: Cuidado. Se andar enredado com o canto metálico da nova sereia, tenha cuidado consigo e com os outros que consigo se cruzarem. Eu poderei ser um deles.

Estória de cabrinhas para a Martinha

Foto de GuidinhaPinto: O Pombinho
Foto de GuidinhaPinto: O Marmilado
Foto de GuidinhaPinto: Convívio caprino

Nova família de caprinos da Prima Laura-a-Pastora. Nova estória. O pastor deixou tresmalhar as cabras. Vinham pela estrada nacional a caminho de casa. A cabra-castanha, deitada no chão de mato, foi atropelada por um carro, nessa estrada. O motorista (uma besta) nem parou para ver o que tinha provocado. O carro deu-lhe uma trompaça. O embate, deixou a castanha estendida na beira, com a pata traseira direita esfacelada, sem no entanto atingir o osso nem os tendões. Olhei e via-se bem a carne sem pele, mas sem estar infectada. É desinfectada todos os dias com Betadine! Iria safar-se, com certeza, disse-lhe à laia de consolo. Tem esta fêmea dois cabritinhos. Mas há mais outros três, de outras duas-mães-cabras. Apenas os cabritos e a cabra-castanha e manca estão no curral. Toda a restante família anda na serra, a pastar. A cabra-castanha é tratada com cuidado e carinho pela Prima-Laura, que tem de lhe trazer alimento ao curral, dado que a bichinha está imcapacitada de sair à procura do seu sustento. Tem de convalescer e dar leitinho aos seus filhotes. Deitada de lado, qual odalisca, a olhar-me de lado, não dá um berro. Os cabritos saltam sobre ela, tentam chegar-lhe aos tetos, mas qual quê! A cabra-castanha não perdeu o apetite e mastiga as ervas frescas mesmo à sua frente. É bom sinal não perder o apetite, disse-me, enquanto me chamava a atenção para aqueles dois cabritos já com nome: o pombinho - por ser manso e branquinho - e o marmilado - por ter *marmilos* abaixo do cachaço, no pescoço - explicou-me. Marmilada, marmilo, mamilo, compreendi-te, pensei. Realmente são duas tetinhas de pele, uma de cada lado, como se de dois brincos descaídos se tratassem.
É sempre uma alegria para mim, quando chego à Serra e saio de casa a ver quem está, e vejo a minha Prima-Laura-a-Pastora dizer *Já cá estão! com Deus*! e quase a seguir *Ai, tens de ir ver os meus cabritinhos* ...
É certo e sabido que há estória para contar.

Boas referências


Tradução livre: Quando eu crescer quero ser como a mamã.

A propósito do dia 'de' ontem

Colagem de fotos de GuidinhaPinto

CURSO DE FORMAÇÃO PARA HOMENS EM GERAL
E MARIDOS EM PARTICULAR

Objectivo pedagógico: Permitir aos homens desenvolver aquela parte do cérebro da qual ignoram a existência e, eventualmente, ganhar o respeito e admiração femininos.

Módulo I: Pré-formação

1 -“A minha mulher não é a minha mãe”. (350 horas)
2 -Entender que o futebol não é nada mais que um desporto e que ficar fora do Mundial não é a morte. (500 horas)

Módulo II: Vida a dois

1 -Como sobreviver a uma constipação sem agonizar. (100 horas)
2 -Deixar de dizer idiotices quando a mulher recebe as suas amigas. (500 horas)
3 -Superar o síndrome de posse do comando da TV. (550 horas)
4 -Como não urinar fora da sanita – Visualização de casos práticos em vídeo. (100 Horas)
5 -Entender que os sapatos não vão sozinhos para o armário. (800 horas)
6 -Como chegar até ao cesto da roupa suja sem se perder. (500 horas)

Módulo III: Tempo livre

1 -Passar a ferro uma camisa em menos de duas horas (exercícios práticos).
2 -Digerir cerveja, água, vinho ou qualquer outra bebida sem arrotar à mesa (exercícios práticos).

Módulo IV: Curso de cozinha

1 -Nível 1 (principiantes): Os electrodomésticos: ON=Ligado, OFF=Desligado.
2 -Nível 2 (avançado): A minha primeira sopa instantânea, sem queimar a panela.
3 -Exercícios práticos: Ferver a água antes de juntar a massa.

Isto é apenas uma brincadeira meus senhores. As coisas sérias da vida a dois são muito mais exigentes. E nem sempre obtém um diploma ;)
Recebida via e-mail. Obrigada a quem me enviou ... - ! :-( esqueci :-( !

Alambre, no Parque Natural da Arrábida




Fotos de GuidinhaPinto: O que passou por aqui?

Faz agora 1 ano que lá estivemos. Levei farnel e pus a mesa num recanto da Serra da Arrábida - Alambre. O Município colocou mesas e bancos em pedra , dois churrascos, enfim, o mínimo para quem quisesse poisar e petiscar qualquer coisa. Gostei tanto que resolvi voltar lá este sábado, com farnel pronto.
Éramos os mesmos. Mães, marido, eu e Bi. O dia 1º de Março estava lindo, convidativo a um 1º pic-nic do ano. A Serra, renovada do incêndio de há 2 anos, dava a respirar o aroma a Primavera (antecipada, claro). No entanto, quando marido estacionou e saímos do carro para escolher a mesa, fiquei estupefacta. Incrédula.
O que os meus olhos observaram davam-me razão e a todos os portugueses que estão tristes por sermos assim. Vândalos haviam passado por ali deixando aquele local impróprio para se estar. Os tampos das mesas de pedra arrancadas e deslocadas, um colchão junto de um caixote do lixo, alguidares abandonados, lixo e mais lixo. Transformaram aquele local feito para-bem-estar, com verbas de todos nós, numa lixeira. Que tristeza.
E querem alguns que outros estejam confiantes, felizes, contentes, por vivermos neste jardim à beira-mar plantado. Ficam as fotos e a minha revolta.
Entramos numa IC, aguardando a próxima saída - Tomar. Perdemo-nos !!! Passámos e não vimos, tal era o nevoeiro. De intenso, retirava a visibilidade. Só podíamos olhar em frente, para pouco ver. De repente, Marido diz: *já devíamos ter saído para Tomar*. E eu: *pois, passamos e nem demos por isso ... agora continua, vamos ver onde vamos sair*. E no meu íntimo pensava: *socorro!!!
Fotos de GuidinhaPinto: esta última, é de Vila de Rei
De repente apareceu-nos a próxima saída - Abrantes e Vila de Rei. Ai! que coisa, estivemos a andar para trás. Sei que há quem vá por aqui lá para cima, para a Serra, mas nós nunca nos aventurámos. E logo hoje, com tanto frrrrriiio e só com dois dias. Eram 09:00h da manhã. Peguei no telélé e liguei para Irmão. Fui acordá-lo, mas teve de ser. Desculpa lá mas perdemo-nos, disse à laia do costumeiro *bom dia, tudo bem?*. Segue sempre em frente que vais apanhar a Nacional 2. Não estás perdida, foste por outra estrada. Disse. Ufa! Segue, que vamos bem, transmiti a Marido. Até que nem desgostei do passeio. O céu foi ficando cada vez mais limpo. E as estradas estavam muito boas.

Boa folia para todos!

Foto de GuidinhaPinto: Deve estar assim ou pior, a vista para o meu Penedo :(

"Todos os feriados eclesiásticos são calculados em função da data da Páscoa. Como o Domingo de Páscoa ocorre no primeiro domingo após a primeira lua cheia que se verificar a partir de 21 de Março, e a sexta-feira da Paixão é a que antecede o Domingo de Páscoa, então a terça-feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa e a quinta-feira do Corpo de Deus ocorre 60 dias após a Páscoa. "
Esta informação foi obtida através de consulta à Wikipédia. Para estes cálculos, necessitamos de um Ministério com Ministro sabedor do mundo eclesiástico e, pelo menos, 1 secretário de Estado que saiba de astronomia e saiba também contar quantos são +60 e -47.

Este ano há tolerância de ponto. Já há quem vá por essas estradas para passar umas mini férias. Lembro que há uns bons anos atrás (que coisa!), o actual Senhor Presidente da República Portuguesa, então 1º Ministro da mesma República, opinou em não dar tolerância de ponto aos funcionários públicos. O Estado podia ir à falência... E o senhor era e é muito sério, pouco dado a diversões. Só pedia que o deixassem trabalhar.
Lembram-se?
Quem pôde, faltou e foi de férias. Quem não pode, como eu, passou o tempo da melhor maneira possível. Afinal trabalhava num hospital ... Moderação exigia-se. Mas com poucos doentes marcados, entretivemo-nos como pudemos, para cumprir o horário. Lembro-me que andámos a colocar uns aos outros, rabinhos de serpentinas, presos a alfinetes. Que ao serem colocados nos fundilhos das batas, quando davamos por isso, estavamos a picar, sem querermos, o traseiro de alguns ... voavam pelos ar uns aranhos, mandados para algumas colegas avessas a esses bichos, mesmo que de borracha, e era vê-las a os pulos e a gritar ... umas serpentes que produziam o mesmo efeito ... e pouco mais. Que diversão. Mesmo à póóóbre!

Agora. Estamos a pensar ir de fim de semana, amanhã de manhã, até à Casinha. O tempo mudou, está lá muuuuito frrrio e choooove :( É pena. Vamos voltar Domingo à tarde porque 2ª feira é dia de trabalho para Marido.

Divirtam-se e inté.

Mafra e o Convento

4 fotos de Guidinha Pinto - Convento de Mafra

Antes de chegarmos ao sítio do almoço, forçosamente passamos por Mafra. Tem crescido e a vila está a ficar igual a qualquer outra do mesmo género: casas baixas, com bancos implantados nos rés-do-chão, porta sim, porta sim. E uma loja de chineses, para ser moderna como a Capital. Vale pela diferença este imponente edifício de pedra, que tem o nome de Convento de Mafra. Ler aqui a sua história!.
O que esta postagem de fotos foi buscar aos meandros do meu cérebro. Vou escrevendo. Das coisas que não se esquecem porque foram vividas.
O Calhau, como lhe chama Marido. Esteve durante o serviço militar no Quartel mesmo ao lado, a Escola Prática de Infantaria. Desde Junho de 71 a Junho de 74. Jurou Bandeira aqui. Ainda me lembro de apanhar uma camioneta, como noiva que já era, e com a minha futura-presente sogrinha e cunhado mais jovem, assistirmos ao juramento de bandeira daqueles rpazes, que estiveram a ser preparados para uma guerra. Nossa, no Ultramar. Iria para a Guiné, não iria ... Os nossos receios tinham fundamento, mas felizmente não tiveram futuro. Porque houve uma Revolução. Também me recordo que os banhos para o nosso casamento correram lá.
Onde é que ele estava em Abril de 74? Lá. Ao lado do Calhau. E no dia 25 (penso que nesse dia) vieram por aí abaixo até Lisboa, o pelotão dele e mais 2, dentro de *Berliets*. Estiveram parados na Malveira, perto da 02:00h da manhã. Só quando os mandaram arrancar para Lisboa, souberam que havia uma Revolução. Assentarem arraiais no Quartel General, em S. Sebastião da Pedreira. Eu e a sua família só o vimos durante uma *fuga* que ele fez, para nos dizer que estava tudo bem. Magro, com a barba de dias, dentro de duas fardas - que o frio nesses anos sentia-se mesmo na Primavera - abraçou-se a nós ... ainda me lembro de seu cheiro. Céus, há quantos anos.
Outros tempos, tão diferentes, tão distantes. E as diferenças, tantas, dentro de uma mesma geração. Incrível quando penso nisto.
Desde 1974 até hoje, 2008, tantas mudanças e nada de novo entre nós. Só a guerra acabara para os nossos jovens-homens-obrigados-não-voluntários e mais tarde para os Povos dos territórios que ocupavamos, como sendo nossos. Ainda se continua a combater cá pela Paz, Pão, Habitação, Saúde, Educação ... Só haverá liberdade a sério quando tudo isto deixar de ser motivo de abertura de telejornal.
Hoje, alguns dos jovens-homens-são-voluntários para as guerras de outros povos. Pagos, a bom dinheiro. Penso. Para poderem comprar uma casa, um carro de marca ... com sorte voltarão com vida. Vão haver sempre guerras. O homem é um animal guerreiro! Vão haver sempre homens dispostos a pegar em armas, matar ou combater ... em nome do dinheiro.
Quando olho para o Calhau é sempre com os olhos da jovem de 20 anos que já fui. A cor do Calhau mudou, lavaram-lhe as paredes. Os Carrilhões estão a funcionar e muito bem. A lembrança da tropa do Marido naquela vila está associada e vai continuar a visitar-me, sempre que eu o olhar, mesmo ao longe. Pensarei: Foi ali que ele se fez tropa. Mas nunca chegou a exercer essa profissão. Graças ao 25 de Abril de 1974.

Bem vindo


Fotos de Guidinha Pinto
Saúde e sorte é o que nos desejam.

Dia de estrear carro novo

Fotos de Guidinha Pinto: O Fórum Montijo e o regresso a Lisboa

Chegámos à outra banda, com Montijo à nossa esquerda. Não saímos onde devíamos, por distração do condutor ... Saímos na seguinte. Paciência. Reparamos num Forum Montijo, que não conhecíamos. Resolvemos parar, esticar as pernas e entrar para conhecer. Fazer tempo para o regresso a casa, perto do fim do dia, porque adoramos atravessar o Tejo em tons de pôr-do-sol. No céu, riscos brancos. Muitos. Rastos deixados pelos aviões que a grande altitude se deslocam.

Despedidas


Foto de GuidinhaPinto
Eu tenho por hábito despedir-me de tudo o que me serviu e marcou de alguma forma a minha vida. Refiro-me a bens imóveis e utensílios, claro. Tais como roupas, calçado, móvel, carro... E até agradecer-lhes. Feitios!
No prazo de um mês, foi-se a mesa e 6 cadeiras que durante 33 anos nos serviram e testemunharam, imóveis e mudas, a muitas comemorações feitas almoços, lanches, jantares, ceias. Muitas histórias, muitos acontecimentos alegres. Foram poiso a algumas pessoas queridas que já não estão connosco. Com muita pena as vi serem levadas, para dar lugar a outras idênticas no servir, mas de outra madeira, desta vez para o resto da nossa vida de comemorações. É que as cadeiras em palhinha já se queixavam, coitadas. O nosso receio de alguém poder cair, desamparado, por uma delas se desconjuntar, foi o motivo mais que forte para as mandar para a reforma. A mesa, ainda estava muito boa. Estilo inglês, pé de galo com pontas em latão, bem tratada aqui por mim, sempre a por-lhe cera ... mas já não há à venda cadeiras em mogno! Procuramos e não encontramos. Vai daí, com o Natal à porta e a festa cá em casa ... teve de ser. Não as deixei ao deus-dará. Não. Estão guardadas numa arrecadação, em casa da minha Prima Fernanda. Talvez ainda alguém precise delas e elas possam acabar a sua existência a servir a outros.

Fotos de GuidinhaPinto

Outra despedida *dolorosa* foi ao carrinho. Ontem, Sábado. Durante 8 anos portou-se tão bem! Sempre em dia nas idas ao especialista, nada lhe faltou. Registei o último dia dele, na nossa posse. Marido, retira o conteúdo do porta bagagens. Muitos passeios fizemos. Muita música tocou. Sabemos que vai continuar a trabalhar, não vai reformar-se. Desejamos-lhe a continuação de boa sorte, para continuar a bem servir, nas mãos de outro humano.

Miru, o primo mais novo

Fotos de GuidinhaPinto: Miru, o gatinho que não gostava de colo

Fomos de visita à Prima Fernanda e ao Primo Mário. Antes do Natal, para desejar Boas Festas. Quando chegamos à quintinha, depois dos beijinhos e os vulgares como estão - tudo bem, à medida que íamos despindo os agasalhos, ouvimos um miá, repetido, não miau, mas miá, fraquinho, baixinho.

- Há cá tareco novo? perguntei

- Há, é o Miru. Olha onde ele está! disse-me apontando para cima da máquina de lavar - desde que chegou que não sai daí.

- Olá coisinha linda, disse baixinho, pondo-me ao nível dele, quando o olhei e estiquei a mão para lhe fazer uma festa.

-Pffffffffffffff ... foi a resposta, ao mesmo tempo que se retraía e escondia debaixo do casaco de lã velho, que lhe servia de cama e de companhia.

- Ele é muito arisco, avisou-me Prima Fernanda. Já me arranhou e ao teu primo também. Olha - disse esticando o braço e arregaçando um pouco a camisola, no sítio do punho. Umas risquinhas vermelhas. Se soubesses o trabalho que deu traze-lo de Caminha para baixo! Vinha dentro de uma caixa, mas de vez em quando conseguia sair de lá e depois para o apanhar outra vez ... foi um sarilho, de vez em quando lá tínhamos de parar o carro! contou-me a Prima Fernanda. Sorrimos.

- Mas é tão pequenino, tiraram-no da mãe muito cedo, retorqui eu com pena. Olá lindinho! Coitadinho dele, tão pequenino - dizia-lhe eu ao mesmo tempo que tentava uma aproximação. E leitinho? Dás-lhe? É do magro e metade da dose é água, informei eu logo.

- Não é nada pequeno! Leite não lhe dou porque a São disse-me para não dar. Ele come bem a ração e bebe água, só não gosta é de colo. Arranha todos.

Já não quis mais informações. Então este pequenino, com 1 mês, sem a mãe nem o resto dos irmãos, estava a aprender tudo sozinho? E nem leitinho lhe davam?! Eu e Marido já não desviamos a atenção do bichinho. Nem ele de nós. Lindo. Cor de areia e branquinho neve. Olhos de cor indefinida, talvez para tom de avelã, vivos, brilhantes, marotos. Tantas fizemos os três que ele saiu de cima da máquina e saltou para o chão, brincou com uma bolinha em lã atada com um fio comprido que Marido arranjou, correu, caiu de cauda, miou, arranhou, trepou e tombou ... Deixou-me aproximar para os diversos cliques, espantado, inquisidor. A pouco a pouco foi-se aproximando de pessoas, de nós. E dos donos, a sua nova família, sem tempo para o acarinhar.

À mesa do lanche, enquanto conversávamos e bebericávamos uma tisana de lúcia lima, sentíamos que qualquer coisa andava a arranhar-nos as nossas calças de ganga. Quando espreitámos para debaixo da mesa, lá estava o Miru, com uns olhos muito brilhantes, muito pequenino, a olhar para nós. Até que Marido lhe pegou. Não pelo cachaço, mas por baixo, junto do peito. Com as patas muito esticadas, as unhas pareciam agulhas fininhas. A pouco e pouco, Marido ajeitou-o e colocou-o ao colo. E ele deixou-se ficar. Mordiscou a mão que lhe fazia festas, mas sem mastigar. E qual não foi o nosso espanto, o Miru enrolou-se e adormeceu. Ouvia-se o ronronar. Rrôrrôrrô! E em pouquíssimos minutos, parecia sonhar o sonho dos gatinhos. Porque durante o tempo em que o estávamos a olhar, quase a velar - nem falávamos, só contemplávamos - ouvimos sons de gato-bebé, vimos estremeções, novamente miámiá, até que de repente, num pulo, ficou sentado nas pernas de Marido, meio atordoado, devendo perguntar-se *mas onde é que eu estou?*

Este é o Miru. Mora numa quintinha e se tiver sorte há-de viver muitos anos. Não passará fome, nem sede e terá uma caminha de lã enquanto for preciso. Liberdade não lhe faltará. Colinho ... terá, se o procurar. É a vida.

Dedico este Post à Sarita, filha da Dina, com um beijinho. E também à minha Afilhada Sofia Rute.

Quantos não haverão?!

Dois GNR, na berma da estrada, vêem passar um carro a mais de 120 km/hora.
Diz um para o outro:
- Aquele não é o gajo a quem apreendemos a carta na semana passada, por excesso de velocidade?
- Era pois! responde o segundo.
- Vamos caçá-lo!
Uns kms à frente, já com o carro parado, um dos GNR chega-se ao pé do condutor e pergunta-lhe:
- A sua carta de condução?
- Mau mau! - responde o rufia - Querem ver que agora perderam-na?!

Recebida via e-mail. Obrigada Sofia.